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Dono de uma simpatia ímpar, carismático e muito emotivo, Sr. Fernando foi o nosso homenageado por seus 50 anos de atuação profissional na Casa AeroBras.

E foi em meio a muita emoção e pausas para conter lágrimas, que nosso amigo Fernando nos contou um pouco de sua trajetória na tradicional e respeitável Casa AeroBras. Cada minuto de
sua história trazia as lembranças de um início cheio de coisas novas, as dificuldades da época, os desafios do dia a dia, fatos curiosos, personalidades que ele teve a oportunidade de atender e como não poderia deixar de ser, as lembranças de seu patrão: Sr. Shoji Ueno.

Fernando, ou melhor, Antonio Duarte Fernandes vem de uma família simples de 8 irmãos em que ele é o terceiro. Nasceu em 31 de janeiro de 1949, em Souza, estado da Paraíba. Veio para São Paulo com apenas 3 meses de vida e só foi conhecer sua cidade natal aos 49 anos. O nome “Fernando” aconteceu por conta de haver outro colega de nome Antonio, assim como ele. Na época, um personagem de seriado chamado Fernando caiu no gosto dos telespectadores do Canal 7 e pensando na fama do artista, resolveu adotá-lo para si. Hoje, só o conhecem por Fernando e sem dúvida essa escolha lhe trouxe muita sorte!!!

Como uma viagem no tempo, fomos parar em 1962 – Sr. Ueno, precisava de um menino para trabalhar na Casa AeroBras. O pai do Sr. Fernando, que então prestava trabalhos de manutenção na casa do Sr. Ueno, disse que tinha um menino, o qual já havia concluído o 1º grau e contava na época com quase 14 anos. Dessa conversa informal nasceu uma relação de trabalho que dura até hoje...

15 de dezembro de 1962... tudo acertado para o jovem Fernando começar no trabalho e levado pelo pai, no primeiro dia, o ambiente lhe encheu os olhos pela novidade e pelos exemplares de aeromodelos. Tantos e tão diferentes! Mas o foco ali, era um só: trabalhar.

Por ser o primeiro emprego e para um menino de quase 14 anos, o trabalho no começo era fazer um pouco de cada coisa. Varria a loja, limpava e arrumava as vitrines e ajudava a completar os kits, a embalar tudo, para depois despachá-los nas transportadoras. Ajudava a preparar combustível para os aeromodelos e para isso era preciso conseguir as garrafas para o envase. Para o jovem Fernando isso não era problema. Percorria bares e boates e voltava com as garrafas necessárias para completar sua tarefa de encher com combustível, dope ou cola. Depois, ia ao Mercado Municipal para conseguir caixas de madeira. Na época não havia caixas de papelão como temos hoje, tão popularmente utilizadas para despachar encomendas.

Ao completar 18 anos, Sr. Ueno registrou Fernando e pagou para que ele tirasse sua habilitação. Novas tarefas, novas responsabilidades. O convívio com o Sr. Ueno foi de 40 anos. Como patrão, era muito severo, disciplinado, e exigia a mesma disciplina de seus funcionários. Não tolerava atra-sos e nem faltas. Porém, o funcionário que nunca faltasse e não tivesse atraso era premiado com um salário-bônus, um reconhecimento.

Das muitas lembranças do Sr. Ueno, a mais forte é a de um empresário com os pés no chão, que não cresceu para dominar no ramo – não era ganancioso. Cresceu o suficiente para dar conta de administrar o que tinha alcançado. Era ótimo conselheiro, conscientizando aqueles que iam dialogar com ele a respeito de abrir uma loja de aeromodelismo. Ele era muito sincero falando dos riscos, das possibilidades. Da mesma maneira acolhedora, compartilhava de seu conhecimento com os clientes, ensinava pais e filhos a montar um avião, um planador.

Duas coisas que o Sr. Ueno não gostava: RC e desconto. Ele era muito franco, aconselhando os clientes a começar no aeromodelismo pelo básico, com um planador por exemplo. E quando um cliente lhe pedia desconto ele dizia não. “Você compra o que cabe no seu bolso”. Era também um indício de sua visão administrativa. Assim, convivendo e presenciando tudo isso de perto, Fernando foi absorvendo essa disciplina, ampliando suas responsabilidades, amadurecendo como profissional e como pessoa, espelhando-se no caráter reto do Sr. Ueno. E levou isso tudo para sua vida pessoal, transmitindo aos filhos o aprendizado.

Outra característica marcante do Sr.Ueno, além de um grande incentivador do aeromodelismo, era sua generosidade, ajudando com dinheiro os clubes da época e colaborando com prêmios por ocasião de eventos e competições. Um evento que ganhou muito destaque foi o “Troféu AeroBras”, realizado na base aérea de Cumbica e que depois passou a acontecer em São José dos Campos. Transporte, acomodação, brindes, premiação, confraternização em churrascaria, tudo era assumido pelo Sr. Ueno.

Na loja, uma cena corriqueira era a de pais que iam à Casa Aerobras com seus filhos. E um fato marcou sua vida. Certa vez um menino foi lá para comprar um planador. Comprou, levou e montou, mas o planador não voou. O garoto voltou à loja e lá, o próprio Fernando com ajuda de outro colega ajustaram o planador que depois das correções ficou bom e voou.

Depois de algumas idas e vindas, em certa ocasião esse mesmo garoto foi à loja e disse que um dia ia ser piloto. Fernando acariciou a cabeça do menino num gesto de incentivo, mas no seu íntimo uma reflexão: “quem é que pode saber o dia de amanhã?”. O tempo passou, o garoto sumiu por alguns anos. Mais tarde, reapareceu, trajando uniforme da Aeronáutica e em vias de obter seu Brevet. Ninguém conseguiu segurar as lágrimas...

E as coisas caminhavam... no começo, o aeromodelismo era uma prática para poucos. Os motores vinham do exterior como Enya, COX, OS Max, a importação era demorada e eram motores caros. Fernando se recorda de um kit do Falcão 20 que para conseguir motor era preciso ficar na fila de espera para comprar um exemplar do motor ATF do conhecido Toninho. Havia o motor WB, feito em Apucarana no Paraná. Paralelamente, a produção de motores nacionais começava a engatinhar. Tinha motores difíceis de funcionar e ele cita o motor TM e outro feito em Minas Gerais, o HR que não teve êxito. Depois, veio a CB Motores, representando o melhor motor nacional para o aeromodelismo cujo título se mantém até hoje, mesmo com uma produção pequena e programada.

A Casa AeroBras teve clientes ilustres, vários deles atendidos por Fernando. O inesquecível Airton Senna, os irmãos Emerson e Wilsinho Fittipaldi, Antonio Ermírio de Moraes, Ronnie Von, Eder Jofre, Sérgio Reis, Wilson Simonal, Lulu Santos, os comediantes Walter D’Ávila e Simplício (Francisco Flaviano de Almeida) entre tantos outros... Simplício tinha um motor WB difícil de fazer funcionar. Então, levava o motor para o Fernando e o motor funcionava. Fernando dizia que o negócio do Simplício era rir... e quem ria com isso tudo era o Fernando, pois o motor acabava funcionando só com ele.

Lembrando-se de pessoas que o ajudaram no começo, Fernando cita o Sr. Miaoka e o Sr. Takeno. A lembrança do Sr. Takeno lhe enche os olhos de lágrimas, pois o considera como um segundo pai. Sr. Miaoka e Takeno representam muito para Fernando pelos ensinamentos transmitidos.

Passa o tempo. O aeromodelismo ganha nomes de destaque nas várias categorias: team race, speed, acrobacia, combate e escala.

Walter Nutini marcava presença constante na Casa AeroBras. Fernando enfatiza a importância do Sr. Nutini e a alavancada que ele deu ao aeromodelismo, edtando a revista Esporte Modelismo que foi um forte ponto de apoio com informações importantes aos praticantes daquele tempo. Um meio de comunicação e disseminação de conhecimento muito eficiente, pois não havia as facilidades de internet de hoje. Dos esforços do Sr. Nutini, veio o aeromodelismo consagrado esporte em 1987. Fernando se sente privilegiado por ter presenciado o antes e o depois.

Para resumir sua trajetória, Fernando cita uma grande lição aprendida: humildade. “A gente nunca sabe tudo... a gente pensa que sabe...”. Hoje, os tempos são outros, há muitas facilidades, muitas novidades. É uma avalanche de coisas. Muita informação. Ele recomenda acompanhar tudo com bom senso.

Para encerrar, Sr. Fernando lembra com carinho da figura do Sr. José Arakelian, o Zé Careca e mais uma vez enche os olhos de lágrimas. Lembra que o Zé não podia ver uma criança do outro lado da grade. Chamava-a para pilotar seu avião. Para o Zé, todo mundo tinha uma chance de ser piloto. Junto à lembrança do Zé Careca, cita Paschoal Delboni, Ivo Brasil, amigos que deixaram saudades...

Olhando lá para pra trás, Fernando sente que o dever foi cumprido e ainda se sente desafiado nos dias de hoje. Ainda está aprendendo, afirma ele. “Até onde a saúde me permitir, estarei lá na casa AeroBras. Lá é a minha casa!!”

   
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